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O Hospital Geral foi o primeiro estabelecimento da Santa Casa, fundado
por Anchieta em 1582. A tripulação da esquadra do Almirante
espanhol Diogo Flores Valdez foi atacada pela peste e atracou emergencialmente
no Rio de Janeiro. Para tratar dos marujos, o Padre José de
Anchieta levantou um tosco barracão coberto de palha. Com ervas
e frutos silvestres, Anchieta conseguiu salvar a maioria da tripulação.
E assim começou esta grande obra humanitária.
Durante muitos anos o Hospital Geral foi a única
alternativa do povo carente na cidade. O Rio de Janeiro enfrentou
muitas pestes alternadas e até simultâneas, lotando
o Hospital. Febre amarela, cólera, varíola e febre
bubônica atacaram a população, além dos
males mais comuns e ferimentos gerados por revoltas e guerras. O
Hospital Geral salvou muitas vidas e minimizou o sofrimento de muitas
almas.
Nos primeiros anos, os governadores da nova Colônia se tornaram
os Provedores da Misericórdia, responsáveis pelo funcionamento
do Hospital. Com enorme carência de médicos, o Hospital
tratava os doentes a base de chás, benzeduras e ervas. Sangramentos
eram comuns, e os partos eram assistidos por mulheres chamadas de
comadres ou curiosas nas casas das parturientes.
Ao longo dos séculos, o Hospital Geral passou por diversas
reformas e obras de ampliação, feitas de acordo com
os recursos sempre escassos e de acordo com as necessidades de cada
época. Porém sem planejamento, o Hospital foi tornando-se
um amontoado de pequenos edifícios, com má circulação
de ar e até com pavimentos subterrâneos sujeitos as enchentes.
Apesar das dificuldades, o nosocômio prestou atendimento ininterrupto
à população desde a sua fundação.
Em 1838 foi eleito Provedor da Santa Casa o advogado José Clemente
Pereira. Grande político e muito influente na corte, católico
e protetor dos pobres, levantou fundos para dar início a um
grande plano de reforma e ampliação do Hospital.
O Hospital Geral era pequeno e inadequado, insuficiente para atender
a população da cidade que crescia. Além disso,
não possuía esgoto nem água para o serviço
interno, nem separação entre homens e mulheres. Sob
o Hospital funcionava um cemitério, fonte de insalubridade.
As reformas começaram pela retirada do cemitério, reivindicação
antiga dos médicos. Em 1840, após conseguir aprovação
de um novo local, Clemente Pereira inaugurou o Campo Santo da Misericórdia
no Caju e mandou fechar para sempre os jazigos e catacumbas sob o
Hospital. Em seguida, lançou a pedra fundamental do novo hospital,
com a presença do Imperador D. Pedro II.
Tudo que pode ser aproveitado do antigo nosocômio foi usado
para completar o novo. Clemente Pereira inspecionava a obra diariamente.
Para projetar e construir o novo hospital, foram chamados engenheiros
experientes. A arquitetura e os trabalhos de pintura e escultura foram
realizados por artistas de renome na época, no estilo neoclássico.
Materiais nobres foram trazidos de Portugal.
A primeira etapa das obras ficou pronta em 1852 com amplas enfermarias,
ambulatórios e consultórios com capacidade de atender
a até três mil pacientes por mês. O primeiro Mordomo
do novo hospital foi José Maria Pereira de Lacerda.
Os melhores médicos trabalhavam no Hospital Geral, pioneiro
em diversas práticas médicas. O clorofórmio,
como anestésico, foi utilizado pela primeira vez no Brasil
no Hospital Geral. Menos de um ano após sua introdução,
por James Simpson na Inglaterra, o clorofórmio foi empregado
como anestesia geral pelo Prof. Manuel Feliciano Pereira de Carvalho
em 18 de fevereiro de 1848, sendo uma amputação da coxa
em um rapaz de 15 anos de idade, por "tumor branco do joelho".
No mesmo ano, foi fundada a Maternidade, atual 33ª Enfermaria.
O uso da anestesia de clorofórmio foi adotado na Obstetrícia
imediatamente. A partir de então o uso do clorofórmio
se generalizou, suplantando o éter, até que novos agentes
anestésicos foram descobertos e introduzidos na prática
médica.
Para melhorar e modernizar o atendimento no novo hospital, Clemente
Pereira aumentou o quadro clínico e de enfermagem, renovou
as práticas, extinguiu privilégios, criou normas para
a cobrança do atendimento para quem pudesse pagar e isolou
os enfermos com doenças contagiosas dos demais.
O Marques de Abrantes deu continuidade ao projeto do Hospital com
a construção do corpo da frente, as colunas do pórtico
central e o passadiço. Para fazer frente a todas as despesas,
o Marques conseguiu junto ao governo alguns auxílios em forma
de taxas e loterias.
Zacharias de Góes e Vasconcellos foi Provedor de 1866 a 1877,
completando a obra iniciada por Clemente Pereira. Ele terminou a nova
fachada, aumentou a quantidade de leitos, melhorou o abastecimento
de água e os serviços de esgotos. Também cuidou
da manutenção, organizando o fornecimento de gêneros
alimentícios.
De 1879 a 1883 o Provedor José Ildefonso de Souza Ramos introduziu
o tratamento homeopático, o tratamento por meio de hidroterapia
e eletricidade.
O próximo Provedor, João Mauricio Wanderley, Barão
de Cotegipe, criou novas enfermarias e ampliou os serviços.
Reformou também a lavanderia. Foi ele o responsável
pela criação do Instituto Pasteur, pioneiro na profilaxia
contra a raiva na América do Sul.
Sempre pioneira, a Santa Casa foi o primeiro estabelecimento hospitalar
brasileiro a instalar uma maquina de desinfecção por
meio de calor úmido sob pressão de estufa, melhorando
a salubridade. Na provedoria do Visconde do Cruzeiro foi criado um
serviço de jardinagem feito pelos próprios pacientes,
para tirar os doentes do isolamento das enfermarias.
O Provedor Miguel de Carvalho dedicou 36 anos à
Casa, de 1902 até 1938. Deu grande destaque ao Hospital Geral
modernizando as aparelhagens cirúrgicas, atendendo a proposta
do Mordomo Dr. José Carlos Rodrigues. Organizou e redigiu
os regulamentos internos e criou o Asilo Provisório do Hospital
Geral, para receber as crianças órfãs pelo
falecimento de parturientes ali internadas. Em 1930 construiu o
Pavilhão de Cínicas de Moléstias Venéreas,
em funcionamento até hoje.
Dr. Ary de Almeida e Silva assumiu a Provedoria em seguida e instalou
o Pavilhão Paulo César de Andrade, o Laboratório
de Análises Clínicas, a Clínica de Tumores, os
Serviços de Abreugrafia e Fisioterapia, o Banco de Córneas,
o Laboratório de Produtos Injetáveis e o Instituto de
Anatomia e Patologia. Além disso, adquiriu novos equipamentos
de Raio X, mandou realizar uma limpeza geral no edifício e
restaurou dezenas de quadros e estátuas, preservando o acervo
artístico do Hospital.
Eleito seu sucessor, Lafayette de Andrada remodelou o arquivo e criou
uma biblioteca. Inaugurou novos serviços no Hospital: Urologia,
Cirurgia Plástica, Banco de Sangue, Escola de Auxiliares de
Enfermagem, Cardiologia, Neurologia, entre outros. Realizou diversas
reformas e melhoramentos.
O Ministro Afrânio Antonio da Costa foi Provedor de 1960 a 1977.
Enfrentou sérios problemas financeiros chegando ao ponto de
ter que tomar uma medida extrema: fechou alguns serviços, ficando
a população sem o atendimento costumeiro. Diante daquela
emergência, houve uma mobilização geral e o Governador
permitiu a majoração das tabelas funerárias para
cobrir as despesas que se avolumavam. Assim, os serviços foram
restabelecidos.
O Provedor unificou a Farmácia com o Departamento de Industria
de Produtos Farmacêuticos, reaparelhando a industria farmacêutica.
Os provedores seguintes foram Eduardo Bahouth, seguido
do Dr. Paulo Niemeyer. Deram continuidade ao trabalho de seu antecessor,
sempre procurando modernizar as práticas no Hospital Geral
e adequar-se as novas realidades. Com os problemas financeiros sempre
dificultando as ações, foram dedicados e incansáveis
na defesa do atendimento a população. O
Dr. Dahas Zarur assumiu em 2004 a Provedoria e vem trabalhando incessantemente
para manter os atuais serviços do Hospital, apesar das dificuldades
financeiras.
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Mordomo é a autoridade máxima
no
Hospital, responsável pelo desenvolvimento de todos os serviços,
em particular os setores médicos e administrativos.
A documentação sobre os
Mordomos do Hospital geral
é
falha, não sendo possível um levantamento
criterioso dos valorosos homens que exerceram
tal função.
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