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Em 1850 o Império promoveu uma concorrência
entre as Irmandades, corporações e particulares pela
Concessão dos serviços públicos funerários.
O vencedor teria o privilégio por 50 anos e se obrigava a
instalar “três enfermarias e curar em tempo de epidemias
a pobreza enferma”.
Ganhadora da Concessão, a Santa Casa iniciou uma série
de ações para cumprir o Contrato. O Provedor era José
Clemente Pereira. Uma das providencias tomadas por ele foi a compra
da precária Casa de Saúde Dr. Peixoto, na Gamboa,
para transformá-la numa Enfermaria. Estava em péssimo
estado de conservação e não possuía
maiores recursos médicos. Após reformar as instalações
por completo, o Hospital foi inaugurado em 1853 com o nome de Nossa
Senhora da Saúde. Neste momento, uma nova epidemia de febre
amarela atingiu a cidade; a zona da Gamboa sofria bastante devido
ao precário estado sanitário do bairro.
Devido a sua localização no alto de uma colina, seu
isolamento de grandes aglomerados populacionais da cidade, sua exposição
aos ventos e a vegetação abundante, o local foi considerado
próprio para a Enfermaria pela Junta Central de Higiene Pública.
A Enfermaria começou a funcionar com 30 leitos, três
quartos particulares e uma pequena farmácia. Irmãs
de Caridade vindas da França ajudavam no tratamento dos doentes
e administravam o Hospital, sendo muitas delas também vítimas
das pestes. A população local chamava o estabelecimento
de Hospital da Gamboa, e assim é conhecido até hoje.
No início, o Hospital foi dedicado inicialmente ao tratamento
de doenças infecto-contagiosas, separando assim os doentes
empestiados dos demais. Ali foram tratados enfermos de varíola,
febre amarela, cólera e bubônica, as grandes epidemias
que castigaram a cidade na segunda metade do século XIX.
O Hospital ficou superlotado, com colchões pelos corredores
e salas.
Em 1856 o Provedor Marquês de Paraná resolveu expandir
o Hospital com a construção de mais quatro enfermarias.
Esta providencia veio em boa hora, pois logo em seguida iniciou-se
uma nova epidemia de varíola, seguida da febre amarela. As
novas dependências lotaram rapidamente. A Enfermaria passou
a denominar-se Hospício, e foi desligada do Hospital Geral.
O número de Irmãs de Caridade aumentou para dar conta
do aumento no atendimento.
Ao longo dos anos seguintes foram feitas melhorias e ampliações
no espaço físico. Também foi aumentado o quadro
de funcionários, possibilitando oferecer mais serviços
a população.
O Marques do Paraná também instituiu o consultório
gratuito. Ele autorizou a Irmã Superiora a receber moças
pobres para ajudarem na confecção e conserto das roupas
dos enfermos.
O Provedor Marques de Abrantes – 1857-1865 - inaugurou quatro
novas enfermarias e trouxe mais Irmãs para completar o quadro
do Hospício. O estabelecimento foi favorecido com a instalação
de água e gás. As pestes continuavam assolando a população,
mantendo as enfermarias sempre lotadas. Em 1860 a febre amarela
grassou de modo assustador causando mais vítimas, só
diminuindo o número de casos em 1862. Uma nova enfermaria
foi construída para abrigar os variolosos.
Em 1865 o Provedor Marques de Abrantes conseguiu realizar a compra
definitiva dos prédios e terrenos que compunham a Casa de
Saúde Dr. Peixoto. Urgia construir um novo Hospital, visto
as condições do imóvel.
Em 1868, na Provedoria de Zacarias de Góes e Vasconcelos,
iniciou-se a construção da capela, concluída
em 1871 com donativos. A capela em estilo gótico com vitrais
coloridos tornou-se uma relíquia religiosa da cidade até
hoje, dominando o bairro do alto da colina. A padroeira é
Nossa Senhora Imaculada Conceição. O Provedor introduziu
alguns melhoramentos, mas muros desabavam e a segurança estava
ameaçada. Novos muros foram construídos, assim como
uma enfermaria feminina em 1868. Nesta época foi contratada
a construção de um novo edifício.
Com o decorrer do tempo, foram instaladas enfermarias
especiais, destinadas aos Praças do Exercito, Armada e Polícia,
acometidos de doenças contagiosas.
Em 1871 inicia-se a segunda fase do Hospício: as obras do
novo Hospital ficaram prontas e foram inauguradas enfermarias e
quartos particulares. A administração foi reorganizada
com a nomeação de um Mordomo e um administrador, ajudado
por um escrivão. Os serviços econômicos da farmácia
e enfermarias continuaram a cargo das Irmãs de Caridade.
Em 1873, notícias falsas começaram a difamar o trabalho
das Irmãs de Caridade, até que o Imperador em pessoa
fez uma visita de surpresa ao nosocômio. Saiu bastante contente
e aos poucos a má impressão desapareceu por completo.
Nos anos seguintes, várias melhorias foram feitas como um
depósito de cadáveres, a lavanderia, melhoramentos
na cozinha e nos aposentos das Irmãs, rouparia, parlatório,
banheiros, encanamentos de água e esgotos, entre outros.
A terceira fase do Hospício começa com o Barão
de Cotegipe que, em 1888, removeu os epidêmicos para os hospitais
de isolamento criados pelo Governo na década anterior. Em
1890 as meninas asiladas no estabelecimento foram trasnferidas para
o Asilo da Misericórdia, recém criado pelo Provedor
Visconde do Cruzeiro. Ficaram somente as maiores de 16 anos, para
trabalhos domésticos.
O Provedor Paulino José Soares de Souza conseguiu a prorrogação
por mais 50 anos do serviço de funerais e enterramentos da
cidade, englobando neste Contrato a guarda e manutenção
dos estabelecimentos pios, entre eles o Hospital Nossa Senhora da
Saúde.
No início do século XX grandes transformações
foram realizadas no Rio, uma cidade infecta. Porém, somente
com o aparecimento de Oswaldo Cruz, é que se registrou uma
diminuição considerável da incidência
das pestes, com a aplicação da vacina por ele criada.
Com a diminuição das pestes, o Hospital continuou
a sua missão misericordiosa com o atendimento de outras doenças
contagiosas como sarampo, escarlatina, coqueluche, tuberculose,
difteria, sarnas, etc. Todos os enfermos de moléstias da
pior espécie, recusados pelos outros hospitais, são
remetidos para cá. Por isso, o povo diz que “a Gamboa
é o refúgio dos sofredores”.
O Provedor Dr. Miguel de Carvalho ampliou o hospital para abrigar
separadamente os infectados de cada doença contagiosa. Assim,
houve a especialização das enfermarias e melhoria
no atendimento. Criou-se cursos de aperfeiçoamento e foram
feitas melhorias em vários setores.
Em 1909 foi inaugurada a primeira sala de cirurgia do Hospital.
Nos anos seguintes, por falta de verbas, o Hospital esteve estagnado.
Somente em 1960, com a Provedoria do Ministro Afrânio Costa,
houve uma modernização do Hospital com a melhoria
das instalações, a criação de novos
serviços, ampliação das enfermarias e nova
estrutura médica. Uma reforma profunda fez o Hospital renascer.
Em 1985 o prédio do Hospital foi tombado pelo Patrimônio
Cultural do Rio de Janeiro.
Renomados médicos trabalharam no Hospital ao longo de todos
esses anos com grande dedicação. Eles construíram
os alicerces sobre os quais podemos, hoje, exercer uma medicina
digna de hospital de país desenvolvido. Até hoje,
o Hospital da Gamboa tem em seus quadros expoentes da Medicina,
que têm como conduta prioritária o respeito aos pacientes,
não importando a sua condição social. Ali é
oferecida uma medicina de qualidade com técnicas modernas
como a vídeo-laparoscopia e a vídeo-histeroscopia
diagnósticas e cirúrgicas e conta-se com um Laboratório
de Reprodução Assistida, um Centro de Ultra-sonografia,
micro-cirurgia em ginecologia, um Centro de Otologia, além
de um Laboratório de Análises Clínicas próprio.
Micro-cirurgias também são realizadas no Serviço
de Oftalmologia.
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vista do Hospital no século XIX |