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O Hospital nasceu de uma idéia criativa de
José Clemente Pereira. Preocupado em separar os tuberculosos
dos outros enfermos, foi criada uma enfermaria no Morro do Castelo
para isolar os tísicos, embrião do que viria a ser
o Hospital Nossa Senhora das Dores. Posteriormente, a enfermaria
mudou-se para a Praia Vermelha, mas o local era pequeno e não
atendia às necessidades.
Surgiu então a idéia de fundar o Hospital
Nossa Senhora das Dores, inaugurado em 1884 pelo Barão do
Cotejipe, na zona norte do Rio de Janeiro. A carência de uma
unidade especializada era tanta que, em 72 horas após iniciadas
as atividades, o Hospital já se encontrava lotado.
O Barão adquiriu uma chácara em Cascadura,
na época considerada zona rural com sítios e propriedades
para descanso. A velha mansão da chácara foi adaptada
e aparelhada para atender tuberculosos carentes. Irmãs de
caridade foram trazidas para compor o quadro do Hospital, junto
com médicos e enfermeiros. O estabelecimento contava ainda
com especialidades em cirurgia, ginecologia, obstetrícia,
otorrinolaringologia, odontologia, hidroterapia. Os métodos
de diagnóstico que surgiam eram prontamente introduzidos
no nosocômio, como o Raio X e a abreugrafia, reduzindo drasticamente
o índice de mortalidade.
Miguel de Carvalho assumiu a Provedoria da Santa
Casa em 1902, já então percebendo a necessidade de
ampliação das instalações do Hospital
para atender a demanda de doentes. As obras foram iniciadas em 1910,
sob supervisão de Oswaldo Cruz, então Diretor da Saúde
Pública. O projeto obedecia ao que havia de mais moderno
em técnica de construção hospitalar, fruot
da união de forças. A obra foi inaugurada em 1914,
após reforços orçamentários do Governo:
um novo prédio com 6 pavilhões. A inauguração
teve a presença do Presidente da República, Marechal
Hermes da Fonseca, do Cardeal Arcebispo Dom Joaquim Arcoverde Cavalcanti,
além de Ministros e várias outras eminências.
Em 1921, nova ampliação foi executada.
Foram concluídas 12 enfermarias aumentando em 32 leitos a
capacidade do Hospital, além de refeitórios, aposentos
para enfermeiras e outras necessidades estruturais.
Desde 1925 o Hospital conta com farmácia
para manipulação das receitas prescritas. Até
1965, esteve voltado somente para o cuidado com os tuberculosos.
Na gestão do Provedor Afrânio Costa
(1962-1977) o Hospital ressurgiu como Hospital de Clínicas,
e várias obras foram iniciadas para dotá-lo da infra-estrutura
necessária. Foi construído um bloco residencial para
as Irmãs de Caridade, as passarelas foram ampliadas para
melhorar o funcionamento do Hospital, todas as enfermarias foram
reformadas, assim como o centro cirúrgico e a lavanderia.
A aquisição de equipamentos de última geração
e ampliação dos serviços auxiliares complementaram
as mudanças.
O Curso de Atendente de Enfermagem foi instituído
em 1965, com a primeira turma formando-se no ano seguinte. No mesmo
ano foi também firmado convenio com a Faculdade de Medicina
da Universidade Gama Filho para uso das dependências do Hospital
no ensino prático do curso.
Ao longo de sua história, mesmo nas fases
mais difíceis da sua vida, nunca deixou de atender às
populações dos subúrbios, sempre contando com
a dedicação de seus médicos e empregados.
Nos arquivos do Hospital consta um trabalho precioso
sobre o bairro de Cascadura. Nele se pode constatar a importância
do bairro em fins do século XIX, que era, talvez, a mais
importante estação de trem dos subúrbios.
A Capela
Durante vinte anos as Irmãs juntaram doações
e até o dinheiro da venda das frutas produzidas pelas árvores
que havia no terreno do Hospital para o erguimento da Capela. A
existente no local era pequena e estava em péssimo estado
de conservação, necessitando reparos e ampliação.
Em 1913 a nova capela foi erguida e obteve autorização
do Arcebispo do Rio de Janeiro para a celebração de
atos litúrgicos, missas e atos religiosos.
Uma placa na sacristia data a inauguração de 1917.
A Capela é uma obra de arte em estilo arquitetônico
com vitraux e imagens trazidos da França.
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O prédio histórico do Hospital

O Ambulatório inaugurado posteriormente
A Capela
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