Casa da Roda: abrigando os menores enjeitados da Colônia

O Rio de Janeiro no século XVIII não era sequer capital da Colônia. A questão do menor abandonado e enjeitado já era um problema. Em 1738, por iniciativa pessoal do comerciante português Romão de Mattos Duarte, foi fundada a Casa da Roda, depois chamada de Casa dos Expostos, atualmente Educandário Romão de Mattos Duarte, em homenagem ao seu fundador.

Era Provedor Manoel Correa Vasques. Romão Duarte, irmão da Misericórdia, compadecido da sorte dos recém-nascidos enjeitados, forneceu os recursos necessários à criação do estabelecimento, apoiado pelo Governador Geral Gomes Freire de Andrada. Importantes doações também foram feitas por comerciantes portugueses e brasileiros.

A Casa da Roda instalou-se inicialmente ao lado do Hospital Geral até 1821, recebendo milhares de crianças em péssimo estado de saúde. Mudou-se diversas vezes até que, finalmente, foi instalado num terreno pertencente ao Conde D’Eu, na Rua Marques de Abrantes, inaugurado em 1911.

A Roda, engenhosa engrenagem para recolher as crianças deixadas anonimamente por mães indigentes e culposas, funcionou até 1938. Com a instituição do Juizado de Menores, ela perdeu sua finalidade.
As crianças deixadas na Roda eram recolhidas pelas Irmãs de Caridade da Casa. Criou-se um corpo de escravas que vendiam à Santa Casa o excesso de leite materno, salvando assim milhares de vidas inocentes. As amas de leite recebiam um salário, pago diretamente aos seus senhores. A partir de 1886 o pagamento passou a ser feito diretamente às escravas, desagradando aos escravocratas.

As crianças que vinham doentes permaneciam na Casa. As saudáveis eram dadas a criar fora por mulheres que vinham pedir. Recebiam um enxoval completo e ainda uma quantia para ajudar no sustento da criança. Administradores faziam visitas periódicas às casas das criadeiras, certificando-se do tratamento dado aos menores. Na ocasião do recebimento, a criança era examinada pelo médico da Casa, para verificar sua saúde.

Ao longo de sua existência podemos estimar que mais de 100.000 crianças passaram por ali.



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