|
No ano de 1889 era Provedoria o Visconde do Cruzeiro.
Conta um versão que foi uma doente na eminência da
morte que pediu a uma Irmã de Caridade para que não
deixasse suas duas filhinhas no desamparo. Consternada, a religiosa
levou o apelo ao Provedor que resolveu então buscar uma solução
para a questão das órfãs. Havia já dois
estabelecimentos para este fim, mas estavam sempre lotados. E assim,
foi iniciado o processo para a criação do Asilo da
Misericórdia, para dar abrigo apropriado para as meninas
que viviam de caridade nos hospitais da Santa Casa, deixadas por
suas mães enfermas ou enviadas pelas autoridades. A urgente
tarefa de retirá-las do convívio com os doentes fez
com que Visconde do Cruzeiro organiza-se uma subscrição
popular para angariar fundos. Ele próprio abriu a lista e
o “Livro de Ouro” foi firmado por Irmãos, funcionários
e até lavadeiras e pescadores. A Princesa Isabel doou grande
quantia e poetas e boêmios arrecadaram quantia ainda maior.
Assim, foi comprada uma mansão na Rua São Clemente,
cercada de floresta, e foi iniciada a adaptação à
nova função. Nesta etapa foram necessários
novos recursos, doados por monarquistas, inclusive pelo Visconde
de Ouro Preto, representando o último Conselho de Ministros
de D. Pedro II.
No início do ano seguinte, descontente com os entraves à
obra social da Santa Casa criados pela República que iniciava,
o Provedor renunciou ao cargo. Era início de 1890. Meses
depois, o Asilo foi inaugurado pelo novo Provedor Manoel de Oliveira
Fausto com a presença do Chefe do Governo Provisório,
General Deodoro da Fonseca. Logo no primeiro ano de funcionamento
já estava lotado, mostrando a grande necessidade do Asilo.
O prédio, a despeito de suas linhas arquitetônicas
simples, é uma bela mansão erigida numa colina a duzentos
metros da rua. Seu salão nobre ainda ostenta a pintura primitiva
feita no teto por artista anônimo.
Com o decorrer do tempo, foram adquiridos dois prédios vizinhos
e o Educandário foi ampliado para atender maior numero de
crianças.
Em 1988 iniciou-se uma reforma importante, para preservar o patrimônio
histórico dos prédios e também modernizar e
conservar as instalações. No Centenário da
Instituição foi inaugurado o Auditório, totalmente
novo. Funcionando como um Centro Cultural, promove festas cívicas,
sociais e religiosas.
Capela
Em 1917 o Arcebispo Metropolitano da cidade deu
autorização às Irmãs de Caridade para
erguer uma Capela. A benção solene deu-se em 19 de
maio de 1918 pelo Bispo D. Claudio José Gonçalves
Ponce de Leão.
Com desejo de ampliar a Capela, a Superiora, Irmã Barroca,
planejou a reforma em 1927 e angariou fundos através de campanhas
de donativos e festas. No ano seguinte as obras começaram
e em 1930 foi inaugurada com missa solene celebrada pelo Capelão
Padre Affonso Castaldo.
A Capela possui uma linda imagem de Nossa Senhora das Graças
sobre as nuvens e passou a ser chamada com o nome da Santa.
|
 |


|